“Você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço….” vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço….”
Minha metralhadora cheia de mágoas.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
E eu seria qualquer coisa por você. E eu faria qualquer coisa por nós. Eu enfrentaria o mundo, faria de tudo, seria capaz de passar por cima de qualquer coisa para ficar ao teu lado. Só para ter sempre essa voz gostosa nos meus ouvidos. Só para ter sempre em quem apoiar e em quem me segurar, se eu tropeçar. Só para ter sempre o teu sorriso, o olhar, o jeito e até o teu modo de andar. Só pra ter sempre essa tua proteção, essa tua sintonia, essa tua maneira de cuidar de mim, de olhar nos meus olhos e ver a mulher que você deseja passar o teu pra sempre. Eu enfrentaria de tudo só para ter, todos os dias da minha vida, essa gargalhada que me causa uma corrente elétrica dentro do corpo, só para ter você como marido, só para poder te chamar de meu daqui há uns 100 anos (no mínimo!). Eu faria qualquer coisa, só pra ter a sua companhia e a tua presença, só pra fazer você sorrir, só pra concretizar a nossa história, só pra mostrar pra todo mundo que nós nunca fomos de mentira, que o nosso amor é maior que tudo e todos. Porque o nosso amor sempre foi maior do que forças contrárias. Eu seria qualquer coisa, só pra te olhar pra sempre. Só pra te ter pra sempre. Só pra te amar. Pra sempre!
Desapegar das pessoas
Anota aí para seu futuro: desapegar das pessoas, se importar menos, não se abalar por nada nem ninguém. Correr atrás daquilo que faça seu coração vibrar, ficar perto de quem te quer bem. Correr atrás dos seus sonhos, se amar mais.
Esquecer tudo aquilo que te faça mal.
Esquecer tudo aquilo que te faça mal.
Criança confusa
Entenda, é tudo novo pra mim. Nunca precisei tanto de
alguém como preciso de você, nunca desejei tanto um sorriso como desejo o
seu, nunca esperei tanto por um beijo como espero pelo seu… Eu nunca
fui tão eu mesma como sou com você. Perdão se às vezes meu jeito
infantil de reagir te assusta ou te incomoda. Repito, é tudo novo para
mim. Sinto-me uma criança confusa diante desse sentimento, sinto-me
frágil diante do medo de te perder, sinto-me pequena diante da perfeição
que a cada dia descubro em você, sinto-me cega diante da luz e magia
que flui naturalmente dos seus olhos e do seu sorriso. Eu não sei o
porquê de tudo isso. Não compreendo a imensidão do meu desejo. Desculpe
pela infantilidade que te amar despertou em mim.
alguém como preciso de você, nunca desejei tanto um sorriso como desejo o
seu, nunca esperei tanto por um beijo como espero pelo seu… Eu nunca
fui tão eu mesma como sou com você. Perdão se às vezes meu jeito
infantil de reagir te assusta ou te incomoda. Repito, é tudo novo para
mim. Sinto-me uma criança confusa diante desse sentimento, sinto-me
frágil diante do medo de te perder, sinto-me pequena diante da perfeição
que a cada dia descubro em você, sinto-me cega diante da luz e magia
que flui naturalmente dos seus olhos e do seu sorriso. Eu não sei o
porquê de tudo isso. Não compreendo a imensidão do meu desejo. Desculpe
pela infantilidade que te amar despertou em mim.
Pedi pra mãe – me interna, to infeliz pra caralho.
"Pedi pra mãe – me interna, to infeliz pra caralho. Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero... Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é... E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada."
Não-desistência
Dói muito, mas eu não vou parar. A minha não-desistência é o
que de melhor posso oferecer a você e a mim neste momento.
Enumero proposições
''(...) Aos poucos, na ausência dele, enquanto tentava compreendê-lo. Cada vez menos para que essa compreensão ajudasse a mim mesmo a. Não sei dizer. Quando penso desse jeito, enumero proposições como: a ser uma pessoa menos banal, a ser mais forte, mais seguro, mais sereno, mais feliz, a navegar com um mínimo de dor. Essas coisas todas que decidimos fazer ou nos tornar quando alguém supúnhamos grande acaba, e não há nada a ser feito a não ser continuar vivendo.''
(Caio F. Abreu, in: — XIII. Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)
(Caio F. Abreu, in: — XIII. Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Ele ainda me tira o ar.
Anda. Enquanto o dia acorda a gente ama
Tô pronto pra te ouvir aqui na cama
Te espero vamos rir de todo mundo
Nesse quarto tão profundo
Para. Repara, tente ver a tua cara
Contemple esse momento é coisa rara
Uma emoção assim só se compara
À tudo que nós já passamos juntos
Preciso tanto aproveitar você
Olhar teus olhos, beijar tua boca
Ouvir palavras de um futuro bom
* Amor sempre canta essa música no violão, a coisa mais linda desse universo todo, te amo tanto bebê.
(...) Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente...
Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem?..."
Fala, eu aguento. Vocês foram embora apenas porque acabou o tesão, porque a assistente nova que apareceu prometia um sexo mais selvagem. Ou porque, uma vez tendo conseguido tudo de mim, vocês, caçadores, precisavam de uma nova presa. Ou porque é assim mesmo. As coisas começam e acabam. Tudo bem que ando meio sem “meio” nessa infinidade de começos e fins. Tudo é muito rápido. E daí vêm minhas amigas e analistas e livros e filmes e peças de teatro e tias e mães de amigas: eles têm medo de você. Porque você ganha bem, porque você tem opinião, porque você namorou muitos caras, porque você é crítica, porque você é inteligente. Ah vá. E Papai Noel e Coelhinho da Páscoa também foram embora porque nós, mulheres modernas, assustamos eles. E que mulher em pleno 2011 não é moderna? Que papo mais besta e mentiroso. Espia aí da sua janela. Por acaso você vê alguma virgem andando de anágua na rua, acompanhada de um homem para não ficar mal-falada? Por favor, me ajude a parar a disseminação desenfreada dessa falácia. Fale pra sua mulher “tô indo embora porque você tem bafo”. Ou ainda “tô indo embora porque odeio o som que você faz pra limpar a garganta de manhã”. Pode ser bem sincero mesmo, “tô indo embora porque preciso comer alguém mais magra”. Pode doer na hora, mas é melhor do que essa multidão de mulheres tagarelando pelas ruas com seus saltos e diplomas e agendas e pressas: coitado, sou muito boa pra ele, ele ficou com medo de mim!Você que nasceu homem, você que nasceu esse ser completamente diferente e estranho pra mim, mas que, ainda assim, é algo sem o qual minha vida fica triste e chata, faça um favor: me escreva e seja muito honesto. Prometo jamais divulgar seu nome. Leio e deleto tudo. Mas, se você tem piedade do sexo oposto, por favor, só por esta vez, me diga honestamente: existe MESMO esse lance de ter medo de mulher bacanuda? Porque esse papo, que tanto ouvimos em psicanalistas, programas de auditório, cartomantes e revistas modernas da mulher suicida… Não, não pode ser. Eu não posso crer que uma burra assuste menos. Eu duvido que uma feinha seja melhor porque causa menos dor de cabeça. Que uma sonsa muda e sem opinião seja o símbolo da paz que vocês tanto buscam. Pra mim é inaceitável que uma mulher vivida possa colocar a segurança de vocês em risco.Me digam que é mentira, por favor. Não é possível que sonhamos a vida inteira com seres tão fracos para construirmos nossas vidas. E que, enquanto lemos e aprendemos e malhamos e ganhamos dinheiro e curtimos a vida para nos tornar mulheres mais interessantes e vividas e gostosas, só estamos nos distanciando mais de vocês. E que a prima lobotomizada do interior de Caxote Mirim do Cupuaçu mexe com vocês de um jeito inexplicável. Ela é doce e meiga. Ela nunca levanta a voz ou discorda. Ela não te cobra e sempre te recebe com um sorriso nos lábios. Ela te esperou a vida inteira. Ela não faz mal a uma mosca. Doce Maria das Graças, mulher que aturou seu avô, morreu sem nunca dar um murro na mesa do restaurante e nunca mais vai reencarnar, para o deleite dos seus oprimidos sonhos arcaicos.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Mas ando de saco muito cheio com essas coisas. De repente tô trabalhando num lugar que me obriga a ir contra tudo que penso e sinto. Não sei como resolver tudo isso. Mas tudo bem, tô calmo e ponderado, embora a vontade seja de agredir todo mundo, dizer meia dúzia de verdades e sair pisando duro. Não vou fazer nenhuma loucura.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Nair Abreu)
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
E tô achando bom, tô repetindo que bom, Deus, que sou capaz de estar vivo sem vampirizar ninguém, que bom que sou forte, que bom que suporto, que bom que sou criativo e até me divirto e descubro a gota de mel no meio do fel. Colei aquele “Eu Amo Você” no espelho. É pra mim mesmo.
(Carta a Jacqueline Cantore, Vila de Santa Teresa, 2O.O5.83)
E lembro daquela história zen, o rei que pediu ao monge um talismã que o protegesse de qualquer mal. O monge deu ao rei um anel, com a recomendação de abri-lo só em caso de extremo perigo. Um dia, o castelo foi cercado pelos inimigos, e o rei encurralado numa torre. Ele abriu o anel. Dentro, havia um papelzinho dobrado. Ele abriu o papelzinho e leu uma frase assim: “Isto também passará”.
(Carta a Sérgio Keuchgerian. Na cidade alagada, 27 de janeiro de 1987)
Mas agora, tantos anos depois, não saberia se tive mesmo vontade de chamar ali, ao meio-dia de uma tarde de Peixes, ou se repetiria depois baixinho, à noite, sozinho na cama, no mesmo quarto com o irmão mais velho, nessa noite ou em todas as outras depois dessa, à medida que o verão fosse indo embora e as noites todas se tornassem mais e mais frias, junho julho, agosto adentro, enrolado em cobertores, vida afora repetindo volta, Beatriz, volta que eu cuido de ti e dou um jeito qualquer de tu ficares boa e então nós podemos ir embora para a África ou Oceania ou Eurásia ou qualquer outro lugar onde tu possas ficar completamente boa do meu lado e para sempre, volta que eu te cuido e não te deixo morrer nunca.
(Caio Fernando Abreu. O destino desfolhou, in: Os Dragões Não Conhecem O Paraíso)
E sabia que ao tragar dizia ainda qualquer coisa como “está bem, se você não quer ajuda fique aí sozinho, meu bem, vou fumar o meu cigarrinho e esperar que ou você ou eu cansemos, e se você cansar primeiro, você fala, e eu cansar primeiro, durmo outra vez e amanhã acordamos e tomamos café como todas as manhãs, meu bem, e não se fala mais nisso, está o.k. assim?”.
(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)
Foi então que a vi. (…) E chorava, ela chorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta na frente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria com as lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar — exposta, imoral, escandalosa — sem se importar que a vissem sofrendo.
Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para sua própria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco, arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de neon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado por um mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca-grossa da vida.
(Caio Fernando Abreu. Pálpebras de neblina, in: Pequenas Epifanias)
Entre os ramos cobertos de flores havia uma espécie de vão, uma fresta, uma porta, e eu fui entrando por ela até ficar dentro daquela coisa colorida. Era escuro lá dentro. Era cheio de galhos trançados e torturados, e muito escuro, e muito úmido, parecia assim ter feito uma grande dor ali cravada naquele centro cheio de folhas apodrecidas e flores murchas no chão. Pelo vão, pela fresta, pela porta eu conseguia ver o sol lá fora. Mas aquele lugar era longe do sol. Era uma coisa, uma coisa assim desesperada e medonha, você me entende? Então pensei em sair lá de dentro imediatamente, sem olhar para trás, mas ao mesmo tempo que queria ir embora, queria também ficar para sempre lá, e se me descuidasse, se alguma coisa mínima em mim perdesse o controle eu me encolheria ali naquele chão frio, olhando os galhos tão emaranhados que não passava nunca um fio daquela luz do sol lá de fora.
(Caio Fernando Abreu. Caixinha de música, in: Morangos Mofados)
Então eu tinha esquecido que esta cidade te cobra preços altos. Ela é uma mulher (ou um homem) belíssima(o) que se oferece, tentador(a), como se amasse, te envolve, te seduz — e na hora em que você não suporta mais de tesão e faria qualquer negócio, ela(e) te diz o preço. Que é muito alto.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Luciano Alabarse)
(…) e choro sempre quando os dias terminam porque sei que não nos procuraremos pelas noites, quando o meu perigo aumenta e sem me conter te assaltaria feito um vampiro faminto para te sangrar e te deixar mudo, sem nenhuma história a te esconder de mim, enquanto meus dentes penetrando nas veias da tua garganta arrancassem do fundo essa vida que me negas delicadamente, de cada vez que me procuras e me tomas, contudo me enveneno mais quando não vens e ninguém então me sabe parado feito velho num resto de sol de agosto, escurecido pela tua ausência (…)
(Caio Fernando Abreu. À beira do mar aberto, in: Os dragões não conhecem o paraíso)
Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi um tanto unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada — apenas me ferem muito esses teus silêncios. A sensação que tenho é que você simplesmente não está a fim de transar muito — e cada vez que tomo a iniciativa de escrever, é sempre meio tolhido, sem naturalidade, com medo de incomodar, de ser indesejável. Não é uma coisa agradável. Seja como for, continuo gostando muito de você — da mesma forma —, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade.
(Caio Fernando Abreu. Carta a Hilda Hilst)
Já repararam como, em dias quentes e azuis na beira da praia, no Rio, todos parecem deuses? Nesse dia, pareciam. Não só as adolescentes de cintura fina e cabelos encharcados de sal, mas também as mulheres um tanto passadas, e os homens também, e até os velhos pareciam deuses cansados, mas deuses. As cores, talvez, as peles, não sei ao certo. Há sempre um toque de divino no humano em dias assim, pensei.
(Caio Fernando Abreu. Agostos por dentro, in Pequenas Epifanias)
É o único rosto vivo em volta, nunca me engano. Chega devagar, pede licença, sorri, pergunta: “E você acha que aqui também é um deserto de almas?” Não preciso nem olhar em volta para dizer que sim, aqui também. E os desertos, você sabe — sabe? — não param nunca de crescer.
(Caio Fernando Abreu. Divagações na Boca de Urna. In: Pequenas Epifanias)
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